10 tendências que vão mudar a indústria da música nos próximos anos
10 tendências que vão mudar a indústria da música nos próximos anos

A indústria musical tem vivido um ressurgimento nos últimos anos, e o streaming tem um papel importante nisso. De acordo com o Relatório Global da Música de 2019 da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), as vendas globais de música atingiram 19,1 mil milhões de dólares no ano passado, mais 9,7% do que em 2017. As subscrições pagas a plataformas como o Spotify ou o Apple Music estão a liderar este crescimento, mas não são o único fenómeno notável. O relatório destaca também que a música está mais global do que nunca. Há dez anos, teria sido impossível imaginar uma artista espanhola como a Rosalía a atuar no Coachella ou a ascensão do K-POP com os BTS e as Blackpink (os novos BackStreet Boys e Spice Girls sul-coreanos?). Aborda ainda a democratização da criação musical, o advento da partilha de ficheiros ou a importância dos quadros regulamentares em matéria de direitos de autor.
Estamos a viver tempos interessantes, mas… E quanto ao futuro? Aqui fica uma lista de previsões (e realidades não muito distantes) com base nas previsões da MIDiA.
Os millennials e os centennials já não ouvem rádio, e é aqui que surge a ascensão dos podcasts. Por que razão é que o Spotify ou a Apple gastariam milhões de dólares em podcasts? Porque sabem que apenas 39% dos jovens entre os 16 e os 19 anos ouvem rádio musical, enquanto 56% o fazem através do YouTube (MIDiA). Mais ainda: um estudo realizado pela Musonomics afirma que a rádio deixará de existir dentro de 10 anos. Os fabricantes de automóveis começaram a marginalizar este meio nos seus modelos e a investir mais em ecrãs multimédia com acesso direto ao Spotify ou ao Apple Music.

Será que a chamada «Geração Tátil» se vai lembrar da rádio tradicional?
Os artistas podem criar a sua própria editora virtual, e as editoras podem tornar-se distribuidoras musicais. Tudo isto graças a uma tecnologia que está ao serviço da música. Eis o exemplo da SonoSuite, um serviço de distribuição de música digital de marca branca que fornece software para distribuir música.

Por outras palavras: todos estão a tornar-se no Shiva, ao abrangerem todo o processo de lançamento e distribuição musical.
Uma das razões pelas quais o Boomplay é mais famoso do que o Spotify em África deve-se ao seu catálogo, centrado em artistas locais e independentes do continente. Investir num arquivo musical de valor será uma prioridade para marcar a diferença. Como afirma a MIDiA, «com a maioria das reproduções do catálogo a provir de música criada neste século, os valores do catálogo estão a ser virados do avesso», de tal forma que «na era do streaming, as Spice Girls valem mais do que os Beatles».
Sem catálogo, não há festa.
Os serviços de streaming têm de encontrar uma forma de ajustar as suas tarifas à inflação, o que significa que os utilizadores terão de pagar mais pelos serviços Premium.

…E estão dispostos a pagar mais, pelo menos nos países ocidentais.
O modelo «Software como Serviço» (SaaS), que dá origem ao «Labels as a Service» (LAAS), é apenas a ponta do icebergue de uma das tendências mais significativas da indústria musical: a disrupção da cadeia de valor. Isto significa que as editoras musicais independentes estão a criar os seus próprios serviços de streaming ou que os serviços de streaming estão a contratar artistas (Spotify).

Ao estilo do Bender: «Vou criar o meu próprio Spotify» e coisas do género.
A música está a ganhar importância no conteúdo oferecido por gigantes da tecnologia como a Amazon ou a Apple e terá de lutar pela supremacia. Veja-se, por exemplo, o lançamento da Apple TV pela Apple ou, no que diz respeito aos serviços de vídeo, a criação pela Disney do seu próprio Netflix, o Disney+.

Não há mais nada a dizer.
A ascensão mundial da música latina— com artistas como Bad Bunny, Luis Fonsi ou Becky G — só pode ser explicada pelo crescimento dos serviços de streaming na América Latina (dominados pelo Spotify). Os artistas ocidentais de língua inglesa já não são os únicos a liderar as tabelas, mas também os ídolos indianos, africanos ou sul-coreanos. É por isso que serão cada vez mais comuns colaborações ao estilo Blackpink com Dua Lipa.
No futuro, o fandom global ficará fragmentado, com uma diversidade regional muito maior. A ascensão das cenas de rap locais na Alemanha, França e Países Baixos ilustra que o streaming permite que os movimentos culturais locais conquistem o sucesso no mainstream local, tirando-o às marcas de artistas globais.

Eis um exemplo disso.
Os artistas da era do streaming já não querem ficar limitados ao formato do álbum. Preferem lançar algumas canções de vez em quando, para manter o interesse do seu público. Estamos a acompanhar esta realidade através de colaborações, singles ou de um interesse crescente por concertos ao vivo espetaculares (eis outra previsão: a experiência ao vivo vai ficar ainda mais louca), listas de reprodução ou rádio em streaming. É claro que os artistas e as editoras discográficas devem estar atentos aos formatos de vídeo. Os sinais não podiam ser mais evidentes: grandes empresas como a Universal ou a Apple apostaram fortemente nos vídeos. E os filmes musicais podem ter um impacto nos catálogos de músicas. A título de exemplo, temos a Netflix a investir em documentários musicais ou o grande sucesso do filme «Bohemian Rhapsody ».
As vendas de CD continuam em declínio, mas este formato continua a ser importante para artistas consagrados e estabelecidos. A boa notícia é que os discos de vinil e as cassetes estão a viver uma nova era dourada. Por exemplo, no ano passado, nos EUA, as vendas de vinil cresceram 12 %, passando de 8,6 para 9,7 milhões de unidades, enquanto as vendas de cassetes cresceram quase 19 %, passando de 99 400 para 118 200 cópias. Se apelar à nostalgia funciona no cinema e nas séries de televisão, porque não na música?
Os anos 80 são o novo normal
A par desta criatividade pós-álbum, surge a economia pós-álbum. Citando a MIDiA: «As editoras terão de acelerar a sua transição para a economia pós-álbum, descobrindo como gerar margens com receitas mais fragmentadas, apesar de terem de investir montantes semelhantes em marketing e na promoção dos artistas.»

Como é que o setor vai dividir o bolo? Boa pergunta.
Apesar do entusiasmo em torno do streaming, pouco mudou na última década. Numa época em que as mudanças, os artistas e os sucessos surgem à velocidade da vida, não será surpresa o surgimento de novos formatos ou experiências. A realidade virtual em espetáculos ou vídeos musicais pode ser uma dessas realidades, assim como os dispositivos vestíveis, a inteligência artificial, para não falar da blockchain, uma das tendências emergentes da indústria musical.

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