Como gerir os direitos musicais para as editoras discográficas

Como gerir os direitos musicais para as editoras discográficas

Como gerir os direitos musicais para as editoras discográficas

A maioria das editoras discográficas pensa que tem um problema de distribuição. A realidade? Têm uma falha operacional. Numa economia de streaming sem fronteiras, metadados inconsistentes não são apenas um erro ortográfico, são um golpe direto nos seus resultados financeiros.

A gestão dos direitos musicais sempre foi complexa. Mas à medida que os catálogos crescem, que o repertório ultrapassa fronteiras e que as fontes de receitas de direitos de autor se multiplicam entre plataformas de streaming (DSPs), sociedades de direitos conexos e mercados de sincronização, o custo de uma má gestão dos direitos musicais nunca foi tão elevado.

A maioria das editoras não está a perder receitas devido a acordos desfavoráveis. Estão a perdê-las devido a lacunas operacionais: direitos não registados, metadados inconsistentes e fluxos de trabalho que impedem que os direitos de autor sejam corretamente atribuídos e cobrados. Muitas vezes, sem que ninguém se aperceba.

Eis como se apresenta, na prática, uma gestão eficaz dos direitos musicais para as editoras discográficas nos dias de hoje.

Comece com dados limpos

Qualquer processo de gestão de direitos depende da qualidade dos dados subjacentes. Antes de pensar em fluxos de trabalho de registo ou na cobrança de direitos de autor, as editoras discográficas têm de garantir que os dados do seu catálogo são precisos e consistentes desde o início.

Na prática, isto resume-se a três aspetos:

Precisão do ISRC. Cada gravação necessita de um ISRC único e atribuído corretamente. Códigos duplicados, atribuições incorretas de versões ou ISRCs partilhados entre diferentes gravações provocam falhas de correspondência em todas as plataformas que disponibilizam esse conteúdo. Essas falhas traduzem-se diretamente em direitos de autor não cobrados e acumulam-se silenciosamente a cada reprodução.

Propriedade e repartição de direitos. A informação relativa à repartição de direitos deve ser consistente e claramente documentada: quem detém a propriedade de quê, entre a editora, os artistas, os produtores e os coautores. As discrepâncias entre os contratos e o que está registado nas plataformas de distribuição criam problemas de reconciliação que se tornam mais difíceis de resolver quanto mais tempo ficam por resolver.

Consistência dos metadados. Os títulos, as atribuições aos artistas convidados, os identificadores das editoras e as informações sobre o lançamento têm de corresponder em todas as plataformas de distribuição digital (DSP). Quando isso não acontece, os algoritmos de correspondência falham e os relatórios de direitos de autor não são reconciliados corretamente.

Limpar os dados logo na fase de introdução é significativamente mais económico do que limpá-los após a distribuição. Para as editoras que gerem catálogos extensos ou em crescimento, fazer isto bem desde o início não é opcional.

Registe os direitos de forma proativa, e não reativa

Uma das principais causas de perda de receitas para as editoras discográficas são as lacunas no registo dos direitos conexos. Os direitos conexos, que abrangem os direitos de execução de gravações originais e são distintos dos direitos de composição, exigem um registo ativo junto das sociedades de gestão coletiva em cada território relevante.

O desafio reside no facto de o registo ser feito mercado a mercado, e de cada entidade ter os seus próprios processos, prazos e requisitos locais. Uma editora que detém direitos conexos no Reino Unido e na Alemanha pode não estar registada de todo em Itália, no Brasil ou na Coreia do Sul.

Cada trimestre em que não se efetue o registo num mercado ativo representa receitas que, na maioria das jurisdições, não podem ser recuperadas retroativamente.

Uma gestão eficaz dos direitos conexos implica saber quais as sociedades que se aplicam a cada ativo, acompanhar o estado dos registos por território e atualizar os registos à medida que a titularidade do catálogo se altera. Quando os catálogos têm um volume reduzido, isto pode ser gerido manualmente. À medida que os catálogos crescem, é necessária uma abordagem mais estruturada e proativa.

Encarar a gestão dos direitos musicais como uma função geradora de receitas

Esta é a mudança de mentalidade que a maioria das editoras demora a adotar e que acaba por ser a mais dispendiosa.

A gestão de direitos tem sido tradicionalmente tratada nos bastidores, separada das decisões comerciais, sendo considerada algo a tratar só depois de o trabalho propriamente dito estar concluído. Parte-se do princípio de que, assim que os direitos são registados e os metadados arquivados, o trabalho está concluído.

Na prática, a qualidade da gestão dos direitos determina o valor de um catálogo, a facilidade com que pode ser licenciado e a confiança com que pode ser introduzido em novos mercados. Um catálogo com direitos claros e totalmente documentados é um ativo comercial. Um catálogo com lacunas no registo e dados fragmentados é um passivo, independentemente da qualidade da música.

Esta é a diferença entre as editoras que crescem e as que estagnam. Não é a dimensão do catálogo, nem a qualidade do elenco. É a infraestrutura operacional.

A Sonosuite foi criada com base nesta premissa. Não como uma plataforma de distribuição, mas como a camada operacional que protege o valor de um catálogo e garante que todos os direitos de autor cheguem ao destino certo.

Não deixe que os seus direitos de autor se percam pelo caminho

Uma gestão eficaz dos direitos não se resume apenas a evitar erros. Trata-se de criar um mecanismo escalável para a cobrança a nível global. Se os seus metadados não estiverem preparados para uma auditoria, está a deixar dinheiro para que outrem o reclame.

Também vale a pena ler: se pretende migrar um catálogo musical, explicamos os passos práticos para uma transição tranquila e sem riscos.

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